Como é o meu processo de pesquisa histórica para os livros transcendentais


Em entrevista concedida a uma revista literária, surgiu o seguinte questionamento: "Como é o seu processo de pesquisa histórica?"


Respondendo à pergunta, eu expliquei: "ao abordar o fato histórico relevante que foi escolhido para compor uma obra literária, sinto necessidade de mergulhar nos aspectos intrínsecos mais marcantes de sua ocorrência, para colher os subsídios de destaque que irão influenciar o desenvolvimento da narrativa histórica que desejo contar, e isso significa que tenho que me sentir presente e partícipe observador daquele momento histórico, imaginar os personagens protagonistas e suas ações, os antagonistas, os personagens secundários, visualizar os ambientes internos e externos, a dinâmica das ocorrências e, principalmente, onde e em que momento encaixar a trama a ser narrada para que ela possa se amalgamar aos fatos reais. Trata-se de um processo de aquisição de conhecimentos históricos e de imaginação contextual dinâmica, como se fosse um filme. Deverá haver uma associação muito bem articulada entre eventos reais e elementos complementares ficcionais para não comprometer a continuidade da narrativa e simultaneamente preencher as lacunas deixadas pela falta de alguns registros históricos de ligação e essenciais ao enredo".


Sabemos que os eventos históricos possuem componentes concretos, físicos, mas não podemos nos esquecer que há, ainda, outros que escapam da percepção dos cinco sentidos e nos força admitir que existem elementos transcendentes que influenciam sobremaneira as existências físicas e, consequentemente, as ocorrências históricas, já que elas são resultantes das interações físicas e extrafísicas dos seres humanos.


As análises realizadas sob a ótica holística, aquela que considera haver uma interação dos elementos do Universo e em especial dos seres vivos, de forma integrada e não simplesmente como um somatório de partes, nos conduz a uma interpretação mais abrangente de tudo o que nos cerca, mostrando que elementos físicos e extrafísicos, concretos e transcendentais invisíveis estão interagindo continuamente e de forma sinérgica.


Diante disso, decidi iniciar uma nova fase literária, com narrativas que considerem o caráter holístico, integral, de nossas vidas. A vida humana possui uma mecânica que envolve conjuntos de forças e energias atuantes intangíveis que muitos ignoram por motivos diversos, mas principalmente por questões de crença. A visão ainda míope do ser humano considera apenas o tangível, relegando ao plano do divino e da paranormalidade os aspectos relacionados à espiritualidade. As influências do invisível, no plano físico em que transitamos são consideradas fantasia e tratadas no campo do sobrenatural.


Mas como demonstrar tudo isso de maneira leve e natural na literatura?


A resposta é: com delicadeza, sutileza e respeito. A escritora Isabel Allende o fez com maestria em sua célebre obra "A casa dos espíritos", publicada originalmente em 1982 e que mescla história e espiritualidade, dando-lhe um inerente caráter transcendental.


É impossível negar a influência espiritual sobre tudo e todos. Os fatos são explícitos e nos atingem a todo instante. Enxergar que os eventos históricos são gerados por ações humanas e como tal submetidos às influências extrafísicas na sua ocorrência, nos desdobramentos e nas consequências advindas tornou-se para mim um componente indispensável que pretendo inserir em minha literatura. A premissa que afirma existir um outro plano dimensional de vida – o espiritual –, ratificado e relatado por inúmeras fontes fidedignas, vai adquirir cada vez mais espaço em minhas obras, apesar de sua intangibilidade. A nova fase literária do meu trabalho está sendo impulsionada pela história e pela transcendentalidade, para expor, cada vez mais, o caráter holístico da vida.